Soberania Digital para a Sociedade Civil
← Voltar à Página Inicial100redes.eu é uma plataforma ética de informação cultural que coloca os direitos digitais no centro da experiência do utilizador. Num mundo onde a extração massiva de dados pessoais se tornou a norma, oferecemos uma alternativa que respeita a tua privacidade e autonomia digital.
Acreditamos que o acesso à vida pública e cultural não deve exigir o sacrifício dos teus direitos fundamentais. Por isso, construímos uma plataforma que te permite descobrir eventos culturais sem rastreamento, sem cookies invasivos, e sem a venda dos teus dados a terceiros.
A soberania digital significa o direito de controlar os teus próprios dados e a tua presença online. As grandes empresas tecnológicas (Big Tech) construíram modelos de negócio baseados na extração e monetização dos dados pessoais dos utilizadores. Cada clique, cada pesquisa, cada interação é registada, analisada e vendida.
Esta plataforma representa uma resistência ativa contra este modelo. Defendemos que a sociedade civil deve ter acesso a infraestruturas digitais que não comprometam os direitos fundamentais.
A privacidade não é um luxo ou uma opção — é um direito humano fundamental. Organizações como a noyb (None of Your Business) têm demonstrado através de centenas de casos legais que as empresas tecnológicas violam sistematicamente as leis de proteção de dados, como o RGPD.
Com mais de €2 mil milhões em multas impostas a empresas que violam a privacidade dos utilizadores, está claro que o modelo atual é insustentável e prejudicial. A 100redes.eu oferece uma alternativa concreta.
A cultura é um bem comum. O acesso à informação sobre eventos culturais não deve estar condicionado à aceitação de termos abusivos ou à partilha forçada de dados pessoais. Defendemos que a informação cultural deve ser livre e acessível sem custos ocultos para a tua privacidade.
Cada vez que navegas na web, dezenas de atores invisíveis registam, analisam e revendem informações sobre ti. Este comércio discreto representa mais de 300 mil milhões de dólares por ano a nível mundial, dos quais cerca de 80 mil milhões de euros apenas na Europa. E cresce a cada ano, à medida que as nossas vidas digitais se aprofundam.
O que é menos dito: uma grande parte deste mercado assenta em dados recolhidos sem consentimento real — depositados antes de qualquer clique, através de ferramentas terceiras invisíveis, ou por trás de caixas pré-selecionadas concebidas para enganar.
Individualmente, um dado parece insignificante. Mas agregado a milhões de perfis, torna-se uma matéria-prima extremamente rentável.
| Tipo de dado | Valor estimado por perfil |
|---|---|
| Idade + localização | 0,001 $ |
| Comportamento web + interesses | 0,10 – 0,50 $ |
| Intenção de compra | 0,50 – 1,50 $ |
| Saídas, lazer, eventos | 1 – 3 $ |
| Dados financeiros ou de saúde | até 10 $ |
Estes montantes são multiplicados por centenas de milhões de perfis, trocados em alguns milissegundos a cada carregamento de página nos mercados publicitários automatizados — o que se chama programático.
Google domina o mercado. Presente em mais de 80% dos sites através do Google Analytics e das suas ferramentas publicitárias, gera mais de 200 mil milhões de dólares por ano graças à publicidade direcionada. Cada visita que fazes a um site terceiro alimenta as suas bases de dados.
Meta (Facebook, Instagram) segue o mesmo modelo através dos seus pixels invisíveis integrados em milhões de sites. Em 2023, foi condenado a 1,2 mil milhões de euros de multa — a maior sanção RGPD alguma vez pronunciada — por ter transferido ilegalmente dados europeus para os Estados Unidos.
Criteo, empresa francesa, é o líder europeu do retargeting: esta técnica que faz reaparecer um anúncio de um produto consultado. O seu modelo assenta inteiramente no seguimento comportamental cross-sites.
Acxiom e Experian são corretores puros (data brokers): não têm produto visível, apenas perfis para vender. Acxiom reivindica dados sobre mais de 2,5 mil milhões de pessoas no mundo. Oracle Data Cloud e Nielsen completam este setor opaco.
Para além dos gigantes mundiais, cada país europeu abriga os seus próprios monetizadores de dados, muitas vezes desconhecidos do grande público:
| País | Ator | O que faz |
|---|---|---|
| 🇫🇷 França | Criteo | Seguimento comportamental, retargeting publicitário |
| 🇩🇪 Alemanha | Arvato (Bertelsmann) | Profilagem de consumidores, corretagem de dados |
| 🇬🇧 Reino Unido | Experian | Scoring financeiro, data marketing |
| 🇳🇱 Países Baixos | Adyen | Dados transacionais e comportamento de compra |
| 🇸🇪 Suécia | Tradedoubler | Afiliação e tracking publicitário |
| 🇩🇰 Dinamarca | Siteimprove | Análise comportamental web |
| 🇫🇮 Finlândia | Sanoma | Dados de media e audiências digitais |
| 🇪🇸 Espanha | Divisadero (Merkle) | Data marketing, profilagem de audiências |
| 🇮🇹 Itália | Engineering Group | Data analytics, profilagem institucional |
| 🇧🇪 Bélgica | Bisnode Belgium | Dados B2B e consumidores |
| 🇵🇱 Polónia | Gemius | Medição de audiência, dados comportamentais |
| 🇦🇹 Áustria | Reppublika | Data intelligence, audiências de media |
| 🇵🇹 Portugal | Mediaprism | Segmentação e targeting publicitário |
| 🇨🇿 Rep. Checa | Seznam.cz | Motor local, dados comportamentais |
| 🇷🇴 Roménia | Thinslices | Data analytics, comportamento do utilizador |
| 🇭🇺 Hungria | LogiNet | Profilagem e-commerce, dados transacionais |
| 🇬🇷 Grécia | Forthnet | Dados telecom e comportamento digital |
| 🇮🇪 Irlanda | Accenture Interactive | Data brokerage, hub europeu dos gigantes tech |
⚠️ O Caso Irlandês: A Irlanda merece uma menção particular: é a sede europeia do Google, Meta, Apple e LinkedIn. A sua fiscalidade vantajosa e o seu regulador historicamente pouco restritivo fizeram dela a placa giratória do comércio de dados na Europa.
É aqui que os números se tornam difíceis de ignorar:
Apesar das multas — por vezes históricas — a aplicação do direito continua desigual consoante os países, e os gigantes tecnológicos continuam a contestar as decisões nos tribunais, ganhando assim tempo em cada ciclo regulamentar.
Não utilizamos cookies de rastreamento, não partilhamos dados com terceiros, e não construímos perfis de utilizadores. A tua navegação é privada.
Acreditamos na transparência. O nosso código é aberto, auditável, e desenvolvido com tecnologias que respeitam a liberdade do utilizador.
Cumprimos rigorosamente as leis de proteção de dados. Não pedimos consentimento porque não recolhemos dados desnecessários.
A plataforma está disponível em 30 línguas europeias, garantindo que a informação cultural seja acessível a todos.
Defendemos o direito da sociedade civil a infraestruturas digitais que não dependam de empresas que monetizam dados pessoais.
A Europa está a liderar o debate sobre soberania digital. Organizações como a Internet Society (ISOC) questionam: "O que significa soberania digital para a sociedade civil?" Esta plataforma é uma resposta prática a essa questão.
Enquanto as instituições europeias debatem regulamentação, nós construímos alternativas concretas. Inspirados pelo trabalho de organizações como a Free Software Foundation Europe (FSFE), a Free IT Foundation, Wikimedia, e noyb, demonstramos que é possível criar serviços digitais que respeitam os utilizadores.
A nossa missão: Partilhar eventos locais sem vigilância nem exploração de dados pessoais.
Ao utilizares a 100redes.eu, não estás apenas a descobrir eventos culturais. Estás a apoiar um modelo alternativo de internet — um modelo que coloca as pessoas antes dos lucros, a privacidade antes da vigilância, e a liberdade antes do controlo.
Juntos, podemos construir uma internet mais justa, mais livre, e mais respeitadora dos direitos humanos.